A partir dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desinformação e inverdades sobre a vacinação: desafio para imunização da população”, apresentando proposta de intervenção, que respeita os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Mesmo com tantos benefícios, a vacinação está sofrendo diversos ataques que têm assombrado a saúde pública brasileira: uma onda de fake news nas redes sociais tem feito com que o uso de vacinas seja contestado, temido e deixado de lado.
As notícias falsas sobre as imunizações são alimentadas pelos movimentos antivacina, que argumentam que o uso dos medicamentos pode trazer outros problemas para a saúde, não respeita a individualidade e a liberdade dos pais ou infringe princípios religiosos.
O movimento antivacina cresceu nos anos 1990, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo apontando uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento de autismo. Rapidamente, o medo das vacinas aumentou no Reino unido e se espalhou por todo o mundo. Apesar de a publicação já ter sido desmentida várias vezes e muitos estudos comprovarem que a teoria apresentada por Wakefield foi fraudada para exibir o resultado que ele pretendia, o movimento antivacina segue ganhando adeptos até hoje e crescendo cada dia mais.
As redes sociais, que são fonte de informações para a grande maioria dos brasileiros, dão ainda mais força para o movimento, uma vez que facilitam o compartilhamento de conteúdo fraudulentos que deixam a população desorientada.
Em entrevista para o programa “Bem Estar”, da Rede Globo, a epidemiologista franco-americana Laurence Cibrelus, chefe da estratégia de combate à doença na Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que as fake news estão influenciando a meta de vacinação no Brasil e explicou que atualmente o índice ideal de vacinação seria de 80% população, mas que apenas 55% foram imunizados.
Quando uma pessoa é infectada pela primeira vez por um antígeno (substância estranha ao organismo), o sistema imunológico produz anticorpos (proteínas que atuam como defensoras) para combater aquele invasor.
Os especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações explicam que o problema é que essa produção de anticorpos nem sempre acontece em tempo hábil para prevenir a doença. Afinal, o sistema imunológico não conhece aquele invasor. Então, a pessoa fica doente.
Se esse mesmo antígeno invadir o organismo novamente, a produção das defesas será efetiva, evitando que a pessoa fique doente uma segunda vez pelo mesmo motivo. O nome dessa proteção é imunidade.
A vacinação entra nesse processo porque, usando os mesmos antígenos que causam doenças (só que mortos ou enfraquecidos), a vacina ensina e estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos que levam à imunidade. Daí a importância das vacinas para reforçar as nossas defesas.
O mais amplo e completo estudo sobre o tema foi realizado na Dinamarca e revelou o que os estudiosos e pesquisadores já sabiam: que não existe qualquer relação entre a vacina conjunta contra rubéola, varicela e sarampo, conhecida como vacina tríplice viral (VASPR) e o autismo. Publicado este mês no Annals of Internal Medicine, o estudo realizado pelo Instituto Serum Statens acompanhou a evolução de 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e as acompanhou até 2013. Em todos os casos foi tido em conta se foram ou não vacinadas.
Os autores também verificaram que a tríplice viral não aumentou a incidência de autismo quando consideradas as variáveis sexo, período de nascimento, administração das demais vacinas oferecidas gratuitamente, histórico de irmão(s) com TEA e presença de alguns fatores de risco, a exemplo da prematuridade, baixo escore de Apgar, fumo durante a gestação, entre outros. Neste período, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo, uma incidência de 129,7 por cada 100 mil habitantes. Não foi observada nenhuma diferença entre as crianças vacinadas e as não vacinadas. E também não foi verificada nenhum risco acrescido de autismo para as que foram vacinadas. A conclusão foi clara: “O estudo prova incondicionalmente que a vacinação VASPR não aumenta o risco de autismo, não desencadeia o autismo em crianças suscetíveis e não está associada a casos de autismo após a vacinação”.